Depois de anos na mesma escola tive que mudar, por que lá não tem ensino medio.
Estranho porque na maioria das escolas do Canadá tem.
E eu estou super animada para entrar nessa nova escola... mentira.
Eu vou ser franca, eu odeio escola, eu odeio estudar. Mas eu só vou porque minha mãe diz \'se você não for para escola vai puxar carroça\' e outras coisas piores tipo que eu vou ter que trabalhar limpando banheiros de botecos. Risos. E então eu sempre vou a escola.
Tenho exatos dois dias de férias... sábado e domingo.
~
Vou contar um pouco mais sobre mim.
Até os meus três anos eu morei no Brasil, mas como a empresa do meu pai virou internacional, tivemos que nos mudar, era o Canadá ou os Estados Unidos, eu preferi o Canadá.
Ai você me pergunta... por quê?
Sei la, eu nunca gostei muito dos EUA, lá é nojento, Argh!
Devem me achar maluca, certo? Mas é a minha opinião!
Então com três anos eu vim morar no Canadá, e estou aqui até hoje. As vezes meus pais vão pros EUA mas eu fico com a minha tia.
Tenho quinze... quase dezesseis.
Me chamo Suzanna Mackenzie.
~
– E então, Rachs, animada para ir a escola segunda? - Perguntei a Rachel minha melhor amiga, enquanto fazia tranças em seus cabelos loiros.
– Na verdade, sim.
– Vai chover! - Fingi um drama.
– Sério, tão falando que tem garotos lindos lá.
– É né, e eu ingenua pensando que estivesse animada para estudar, não fletar.
– A qual é, Susy, nesse aspecto somos iguais, até parece que você está animada.
– Isso é, mas... nesse \'tão falando...\' quem te passou informações?
– Eu fui lá.
– Fazer o que? E por tinha alunos?
– Foi ontem, teve tipo que uma feira escolar, feira de livro sei la.
– Por quê?
– Eu sei lá, pergunta pra diretora. - Ele pegou uma colherada de sorvete e botou na boca.
– Poxa, nem para me avisar eu queria ter ido.
– Hum, você não sabe da maior.
– O que?
– Lá tem um garoto lindo, lindo, lindo mesmo, mas ele não se relaciona com ninguém.
– Por quê?
– Eu não sei, ninguém sabe ao certo.
– Ele é o que?
– Acho que do time de football.
– Hum, sério, vou entrar nessa escola só para estudar, não quero me envolver com ninguém também.
– Você diz isso por quê ainda não viu o garoto, ele é perfeito pra você. - Eu dei uma risada meio envergonhada.
– Ta, chega.
~
Não vou mentir, depois que a Rach disse aquilo eu fiquei mais interessada na escola. Não por garotos, mas sim porque eu queria desvendar tal mistério, por quê ele não se relaciona com ninguém?
Meu Deus! Nem conheço o garoto e já estou investigando a vida dele, deve ser super chato isso, saber que todo o bairro sabe e comenta sobre a sua vida.
Infelizmente eu teria que usar uniforme. Mas não era muito feio não, era até jeitosinho
http://jbchost.com.br/madeinjapan/imgmat/2010/12/14_a_moda_1.jpg
Peguei minha mochila e segui em direção ao ponto do onibus escolar.
Pois é, meu pai ainda não comprou um carro pra mim porque eu só tenho quinze, mas esse ano ainda, sai!
Rach disse que iria de carona com os pais dela, eu nem posso porque minha mãe está trabalhando, se eu quisesse carona iria ter que chegar na escola de madrugada.
Minha tia também trabalha, então só sobra o onibus escolar, o onibus comum ou ir apé.
De todas as opções, onibus escolar é menos pior.
Avistei o onibus amarelinho passando, ele iria parar mesmo se eu não fizesse sinal. - Por que eu estou de uniforme.
Entrei no onibus, muitas pessoas bagunçando e gritando, aviõeszinhos de papel, conversas, gargalhadas.
Sentei em um lugar afastado.
No próximo ponto entrou um rapaz, ele deveria ter a minha idade, cabelos pretos, olhos azuis, e uma aparencia bem bonita. Por um segundo pensei que fosse o rapaz que Rach mencionara. Mas ele se sentou ao meu lado e puxou assunto. Definitivamente não era ele.
– Olá, sou Drake. - Ele disse sorrindo, dentes perfeitos.
– Olá Drake, sou Suzanna.
– É novata, certo?
– Exato.
– Estudo aqui há alguns anos.
Só ai lembrei que nessa escola além de ter o ensino médio, tem o fundamental.
Ele continuou: - Não sei se precisa, mas quero te oferecer ajuda para identificar os grupinhos.
– Quero sim.
Nisso o onibus parou na escola.
A escola era linda, com grandes portões.
Logo na entrada haviam vários grupinhos conversando.
– Agora fica mais fácil te falar. - Drake se aproximou. - Então, aquelas são as Barbies, as donas do colégio. - Ele apontou para um grupinho com quatro meninas
– E as lideres de torcida?
– Ah, elas. Elas também são grande influencia nessa escola, mas elas não se misturam com as Barbies não.
– E aqueles? - Apontei para um grupo com rapazes.
– Eles são on Ken da escola, os garotos mais desejados, depois dos do time de football.
– As Barbies e os Ken namoram? - Ele riu.
– Já ficaram, mas entenda uma coisa: Nessa escola ninguém namora sério. - Dei um sorriso falso.
– E aqueles são os nerds, os excluidos, os jocks, os greasers, os preppies. - Ele saiu apontando.
– Você falou dos Jocks, os atletas, onde eles ficam?
– Muita das vezes perto da quadra, ou no campo, depende. Alguns nem falam com ninguém.
– Quem?
– São poucos, acho que só três, o Julius, o Brad e o Justin.
Julius, Brad e Justin, e agora? Qual deles é o rapaz que a Rach disse?
– Mas por quê eles são assim?
– O Julius não fala porque ele é reservado mesmo, o Brad desde que foi completamente zuado, o Justin sempre foi divertido, amigo, engraçado, depois de um incidente ele nunca mais se relacionou com ninguém, nem para fazer amizade, ele só joga e estuda.
Justin... então com certeza esse é o rapaz.
– Ah...
– Agora tenho que ir, mi amigos me chamam. - Ele riu
– Tchau.
Fiquei mais um tempo olhando as pessoas.
Ta, mas como eu vou saber quem é o Justin? Primeiro: Por quê eu estou tão interessada na vida dele?
– Bu! - Rachel me deu um tremendo susto.
– Quer me matar?
– Claro que não, né. - Ela riu e me abraçou. - Vi que já fez amizades, hein?
– Ah, o Drake, ele é legal, me ajudou a identificar as Barbies, os Kens, as lideres de torcida e tudo mais.
– Ah sim. Já viu o garoto?
– Que garoto?
– Aquele que eu te falei.
– Ah o Justin?
– O nome dele é esse? Espera... como sabe o nome dele?
– O Drake me contou.
– Você perguntou?
– Não né, eu perguntei sobre os atletas ai ele acabou mencionando um que é meio reservado demais.
–Ah ta.
O Sinal bateu.
– Deixa eu ver os seus horários. - Rach disse.
Entreguei o papel para ela.
– Droga, nem o primeiro nem o segundo tempo é com você!
– Que merda.
– Mas o terceiro é! Até lá!
Em fração de segundos me vi sozinha num pátio cheio de árvores.
Entrei na escola, corredores vazios.
Sala 7, sala 7, sala 7.
Depois de um bom tempo procurando a Sala 7 eu achei.
Bati na porta, e o Professor abriu.
– Está atrasada!
– Desculpa, professor...
– Adam Hyle.
Ele fez um sinal para que eu pudesse entrar.
– Qual o seu nome? - Ele perguntou.
– Suzanna Mackenzie.
– Alunos, essa é nova aluna Suzanna Mackenzie, digam bom dia para ela.
– Bom dia! - Todos disseram.
– Obrigada.
– Agora sente-se, querida.
Procurei um lugar vago e achei um lá atrás.
Ao lado de um garoto que parecia ser dos atletas.
Ia me sentando quando ele disse: - Quem disse que você pode sentar aqui? - Ele perguntou.
– É que... - Alguém me interrompeu.
– Deixa ela, Nollan. - Um rapaz loirinho disse.
O garoto chamado Nollan bufou.
Me sentei na cadeira e abri meu caderno.
– Obrigada. - Me virei e agradeci ao rapaz.
– De nada. - Ele disse com uma voz engraçada. - Seu nome é?
– Suzanna, não ouviu? - O Nollan respondeu.
– Claro que não, como eu iria ouvir com você falando pra caramba? - Ele disse num tom estressado. - Desculpa, sou Chaz.
– Ah, não tem problema.
– Senhorita Suzanna, vejo que já fez amizades, mas por favor deixe para conversar no intervalo. - O Professor Hyle disse.
– Sim, senhor.
Ele continuou dando a aula chata dele, eu nem sei do que eu era, acho que era de história.
Resolvi olhar as pessoas, avistei um rapaz loiro, sentado num canto sozinho; Ele não parecia prestar atenção na aula, e nem no que acontecia a sua volta. Sua beleza era estonteante; Ele se mexeu e pude notar seus olhos dourados. Não estava muito longe, pude notar cada traço bem desenhado de seu rosto, principalmente sua boca levemente rosada.
Ele se levantou e começou a guardar seu material, não entendi o porquê.
– Ei, Susy, vai ficar ai? - Chaz perguntou.
O sinal havia tocado e eu nem percebi.
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